

Maestro Elias Porfirio
• Fundador da primeira escola de música de Araxá;
• Criou a Banda Santa Cecília e a Orquestra Irmãos Porfírio;
• Era comerciante, empresário e dono de dois cinemas: Capitólio e Cine Theatro Trianon;
• Compositor e referência cultural na cidade;
• Nome eternizado na Escola Municipal de Música de Araxá.
Maestro Elias Porfírio de Azevedo:
A brilhante trajetória em Araxá
Elias Porfírio de Azevedo é um nome que ecoa com respeito e admiração na história musical de Araxá (MG). Sua trajetória como maestro, músico e educador deixou um legado que enriqueceu profundamente a cultura da cidade e gerações desenvolvidas.
Demonstrou talento e paixão pela música desde a infância, quando estudou no Seminário Nossa Senhora de Assunção, estabelecimento de ensino pioneiro em Minas Gerais, onde também cultivou o prazer pela leitura e religiosidade. Pouco depois de retornar a Araxá casou com Maria Dolores de Ávila, que possuía bela voz de soprano e tocava violão. Tiveram onde filhos, o mais velho, Padre Alaor, nome do bairro onde está localizada a homenagem feita para ele no projeto Memomural.
Fundou a primeira escola de Música de Araxá, e trazia os professores de outras cidades para lecionar, os hospedavam em sua residência. A música estava presente em cada passo que dava, em 1906 criou a Banda Santa Cecília, que o primeiro nome foi União Araxaense, com 12 instrumentistas e alguns de seus filhos. Se apresentavam em reuniões cívicas, casamentos, carnavais, bailes e cerimônias religiosas, onde podiam ouvia a voz de baixo típica de Maestro Elias.
Mantinha vasto intercâmbio com artistas de todo país e presenciando espetáculos nacionais e internacionais a cada ida à São Paulo ou no Rio de Janeiro. Foi diretor, cantor, ensaiador e ator no Theatro Avenida (que era localizado onde hoje é o número 545 da rua Mariano de Ávila). Elias também foi pioneiro na composição e na valorização da música brasileira. Ele acreditou na importância de preservação das raízes culturais e incorporadas na composição da valsa “Saudades de Minha Mãe” e um dobrado sem título.
O legado do Maestro Elias Porfírio de Azevedo vai além de suas notas e acordes. Era visionário e empreendedor, ele desenvolveu nove empresas, de diferentes segmentos, como açougue, padaria, atividade rural com quatro fazendas, e dois cinemas Capitólio e Cine Theatro Trianon. Quando realizava cantatas em sua casa, que ficava na rua Antônio Carlos, nº 116, no Centro, abria as janelas para deixar o som de cada músico ecoar por toda a cidade.
Em Araxá, Elias Porfírio desempenhou um papel fundamental na organização e no fortalecimento das bandas de música locais, como a tradicional Banda Lira Araxaense. Sob sua batuta, os músicos araxaenses não apenas aprimoraram sua técnica, mas também conquistaram espaço em eventos regionais e nacionais. Suas apresentações foram marcadas por harmonia, emoção e uma conexão profunda com o público. Maestro Elias costumava dizer “Aproveita gente, que o casamento vai acabar”, referindo que as pessoas tinham que aproveitar cada oportunidade da vida.
Ele representou a dedicação, o amor pela arte e o compromisso com a cultura de sua terra. Até hoje, sua influência é sentida nos corações e mentes de quem teve a peculiaridade de conhecê-lo. Vários instrumentos, fotografias e partituras estão eternizadas no Memorial de Araxá (na avenida Vereador João Sena, 98 – Centro) e na Escola Municipal de Música Maestro Elias Porfírio de Azevedo (Praça Arthur Bernardes, 20 – Centro) que permanece ecoando música aos alunos e em eventos durante todo o ano.