

Maria Rita da Cruz
• Nascida em Araxá em 5 de setembro de 1870;
• Filha de mulher escravizada, nasceu livre;
• Comprou a liberdade da própria mãe;
• Costureira, doceira e artesã da tecelagem manual;
• Criou sozinha os 12 filhos após enviuvar;
• Produzia tecidos, colchas e mantas em tear artesanal;
• Referência de força, trabalho e dedicação familiar;
• Destaque pelo trabalho social e comunitário em Araxá.
Maria Rita da Cruz:
Força, trabalho e solidariedade na história de Araxá.
Maria Rita da Cruz nasceu em Araxá, no dia 5 de setembro de 1870, e foi batizada como Maria Rita de Jesus. Filha de Carlos Felipe de Menezes e Graça Maria de Jesus, teve quatro irmãos: Luzia, Jorça, Abadia e José Leandro. Segundo a tradição familiar, preservada por seus descendentes, Maria Rita nasceu livre, mesmo sendo filha de uma mulher escravizada. Ainda jovem, após a morte do pai, recebeu uma herança que lhe permitiu comprar a liberdade da própria mãe.
Enquanto morava com a mãe em uma fazenda, conheceu João da Cruz, marceneiro e carpinteiro, com quem se casou em 30 de janeiro de 1893. No início da vida em comum, o casal adquiriu terras em sociedade com amigos e, mais tarde, vendeu sua parte para comprar uma chácara próxima à área onde hoje está localizado o aeroporto da cidade. Foi ali que viveram por muitos anos e construíram a família.
Em 1919, mudaram-se para a cidade, passando a morar na casa construída por João da Cruz, na antiga Rua da Raia, atual Dom José Gaspar. O casal teve 12 filhos: João, Marieta, Carlos, Abner, Maria, Enéas, Benedita, Firmiana, José, Geralda, Celina e Celuta.
Com a morte do marido, em 1925, Maria Rita assumiu sozinha a responsabilidade pela criação e educação dos filhos. Trabalhava como costureira e, durante a noite, preparava doces e linguiças que eram vendidos em um armazém vizinho.
Além disso, dominava com habilidade a arte da tecelagem manual. Utilizando um tear feito pelo próprio marido, realizava todas as etapas do processo: desde o plantio do algodão até a produção dos fios e a confecção de tecidos, colchas e mantas.
Sua trajetória, no entanto, foi além da dedicação à família. Maria Rita também se destacou pelo importante trabalho social e comunitário que desenvolveu ao longo da vida, deixando um legado de força, solidariedade e contribuição para a comunidade.